As leis trabalhistas do Brasil
são arcaicas, contraproducentes e oneram tanto
empresas quanto trabalhadores, diz uma reportagem da
revista britânica The Economist.
A reportagem, intitulada Employer, Beware
(Empregador, Cuidado), afirma que as leis
trabalhistas brasileiras são ''extraordinariamente
rígidas: elas impedem tanto empregadores como
trabalhadores de negociar mudanças em termos e
condições, mesmo quando há um acordo mútuo".
Para a revista, a legislação incentiva trabalhadores
insatisfeitos a tentar que sejam demitidos em vez de
pedir demissão.Esse ciclo, acrescenta a Economist,
induz também empresários a preferir não investir em
treinamento de seus funcionários, já que esse é um
investimento que pode não dar retorno.
De acordo com a publicação, as leis trabalhistas do
Brasil são ''uma coleção de direitos de
trabalhadores listados em 900 artigos, alguns
escritos na Constituição do país, originalmente
inspirados no código trabalhista de Mussolini''.
A reportagem diz que o conjunto de leis é custoso e
que ''demissões 'sem justa causa'' geram multas de
4% sobre o que um trabalhador recebe", acrescentando
que nem ''um empregado preguiçoso ou um empregador
falido constituem 'justa causa'".
Custos
O artigo comenta que, em 2009, um total de 2,1
milhões de brasileiros processaram seus empregadores
em cortes trabalhistas. ''Estes tribunais raramente
se posicionam favoravelmente aos empregadores. O
custo anual deste ramo do Judiciário é de de mais de
R$ 10 bilhões (cerca de US$ 6 bilhões).
De acordo com a Economist, ''empresários há muito
reclamam que essas onerosas leis trabalhistas,
juntamente com elevados impostos sobre os salários,
impedem-nos de realizar contratações e os empurram
para fazer pagamentos por debaixo dos anos, isso
quando esses pagamentos são feitos''.
O passado sindical do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva representava, no entender do empresariado
brasileiro, uma esperança de que ele estaria mais
bem situado que seus predecessores para persuadir
trabalhadores a aderir a regras mais flexíveis que
seriam melhores para eles.
Mas a publicação britânica acrescenta que os
escândalos que abalaram o primeiro mandato de Lula
impediram a implementação desta e de outras
reformas.